Alexandre Ramagem, ex-deputado federal condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 16 anos de prisão por crimes ligados ao golpe de 8 de janeiro, foi preso nesta segunda-feira (13) pelo ICE — serviço de imigração dos Estados Unidos — em Orlando, na Flórida.
Foragido desde setembro de 2025, ele havia cruzado a fronteira brasileira clandestinamente por Roraima, entrado na Guiana de carro e embarcado para os EUA a partir de Georgetown, capital guianense.
A rota da fuga
Segundo a Polícia Federal, Ramagem atravessou a fronteira terrestre entre Brasil e Guiana pelo estado de Roraima — estado onde ele próprio já atuou como delegado da PF — e seguiu de carro até Georgetown. De lá, embarcou em voo para os Estados Unidos.
A operação contou com apoio logístico do empresário Celso Rodrigo de Mello, 27 anos, filho do garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, o Rodrigo Cataratas, amigo pessoal de Ramagem. A Polícia Federal prendeu Celso em Manaus por suspeita de ter financiado e organizado a fuga — por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. A defesa de Celso nega as acusações e afirmou que “qualquer conclusão antecipada não condiz com os fatos”.
Condenação e pedido de extradição
Ramagem foi condenado pelo STF pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado, em razão dos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça comunicou ao STF que o pedido de extradição havia sido formalmente encaminhado ao governo norte-americano. A documentação foi enviada pela Embaixada brasileira em Washington ao Departamento de Estado dos EUA em 30 de dezembro de 2025.
O ministro Alexandre de Moraes havia determinado a inclusão de Ramagem na lista da Interpol — medida que viabilizou a ação das autoridades americanas e culminou na prisão desta segunda-feira.
Ramagem foi detido por volta das 11h no horário local de Orlando — meio-dia em Brasília — e encaminhado a um centro de detenção na cidade. A prisão ocorreu por questões migratórias, e o governo brasileiro aguarda informações sobre como será conduzido o processo de retorno ao país.
Aliados do ex-deputado afirmavam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos. A estratégia de buscar proteção no exterior não é nova entre foragidos da trama golpista: a Argentina concedeu refúgio a Joel Borges Corrêa, outro condenado pelo STF pelos ataques de 8 de janeiro — um precedente que Ramagem provavelmente esperava repetir.
O caso integra um padrão que se repete entre os condenados pelo golpe. Apenas três dias antes da prisão de Ramagem pelo ICE, a defesa de Carla Zambelli ainda recorria na Itália tentando barrar a extradição autorizada pelo STF — sinal de que a resistência jurídica no exterior segue sendo a principal aposta dos foragidos.
